Érika Vicência Monteiro Pessoa 1, Gislane Almeida Ramos 1, Fabiane Araújo Sampaio 2, Francisco das Chagas Araújo Sousa 3

1 - Graduanda em Nutrição pelo Curso de Nutrição da Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão – FACEMA.
2 - Nutricionista, Doutoranda em Biotecnologia pelo RENORBIO e professora assistente da Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão – FACEMA.
3 - Veterinário, Doutor em Ciências Animal pela Universidade Federal do Piauí e professor assistente da Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão – FACEMA.

Recebido para publicação em 01 de Fevereiro de 2017
Aceito em 09 de Maio de 2017

Atualidades Médicas - Volume 2 - Edição 1 - Ano 2018 - Janeiro, Fevereiro

Páginas: 22-28

DOI:

Unitermos: Doenças cardiovasculares, dislipidemias, estilo de vida

Uniterms: Cardiovascular diseases, dyslipidemias, life style

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Resumo

Objetivo: Avaliar a relação entre os fatores de risco cardiovascular em profissionais de uma instituição de ensino superior. Casuística e Método: Estudo transversal, realizado em 53 funcionários da Faculdade de Ciências e Tecnologias do Maranhão (FACEMA), de ambos os sexos, com idade entre 24 e 38 anos. Para determinação do estado nutricional utilizou-se o índice de massa corpórea e a composição corporal foi avaliada pelo método de bioimpedância. A verificação da pressão arterial foi realizada pelo método indireto esfigmomanométrico. O perfil lipídico foi determinado pelo método enzimático colorimétrico, utilizando os Kits Labtest®. A análise estatística dos dados foi realizada por meio do programa SPSS v. 18.0, utilizando os testes t de student para comparar os valores médios e a correlação de Pearson para verificar associação entre as variáveis. Resultados: Os valores médios e desvio padrão encontrados para IMC foram 25,76 ± 4,95 e 29,39 ± 5,47 para o sexo feminino e masculino, respectivamente. A circunferência da cintura foi de 80,08 ± 10,22 para as mulheres e 95,28 ± 13,70 para homens. Dentre as variáveis avaliadas houve uma correlação positiva significativa entre %G, idade, CT e LDL, bem como entre a circunferência da cintura e índice de massa corpórea (p<0,05). Conclusão: Pode-se observar que os funcionários apresentam risco cardiovascular e que o percentual de gordura corporal sofre influência da idade e participa do desenvolvimento de dislipidemias. Assim, a realização de orientações quanto às práticas de uma alimentação saudável e atividades físicas são imprescindíveis para a prevenção de DCV.

Summary

Objective: To evaluate the relationship between cardiovascular risk factors in employees of a higher education institution. Methods: Cross-sectional study conducted in 53 employees of the Faculty of Science and Technology of Maranhão (FACEMA), of both sexes, aged between 24 and 38 years. To determine the nutritional status we used the body mass index and body composition was assessed by bioelectrical impedance method. Checking blood pressure was performed by esfigmomanométrico indirect method. The lipid profile was determined by enzymatic colorimetric method using the Labtest® Kits. Statistical analysis was performed using the SPSS program v. 18.0 using the Student's t test to compare means and Pearson's correlation to check the association between variables. Results: The mean values and standard deviation found for BMI were 25.76 ± 4.95 and 29.39 ± 5.47 for females and males, respectively. Waist circumference was 80.08 ± 10.22 for women and 95.28 ± 13.70 for men. Among the variables evaluated there was a significant positive correlation between% G, age, total cholesterol and LDL, and between waist circumference and body mass index (p <0.05). Conclusion: It can be observed that employees have cardiovascular risk and the body fat percentage is influenced by age and participates in the development of dyslipidemia. Thus, the realization of guidance on the practices of healthy eating and physical activity are essential for the prevention of CVD.

INTRODUÇÃO

As doenças cardiovasculares (DCV) possuem como órgão alvo o coração, este por sua vez necessita constantemente de oxigênio e nutrientes. Entre as patologias presentes nesse grupo, podemos citar o infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e aterosclerose. Esta última é caracterizada pelo perfil lipídico alterado e depósito de gordura nas artérias, fatores estes que impedem o fluxo sanguíneo para o coração. Nesse sentido, a dislipidemia é considerada como um dos principais determinantes da ocorrência de doenças cardiovasculares1.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2002 ocorreram 16,7 milhões de óbitos, dos quais 7,2 milhões foram por doenças cardiovasculares. Estima-se, para 2020, que esse número possa se elevar a valores entre 35 e 40 milhões. Seu crescimento acelerado nos países em desenvolvimento representa uma das questões de saúde publica mais relevante no momento2.

Segundo Salvaro et al. (2009)3, o desenvolvimento dessas patologias está relacionado à presença de fatores de risco, como aumento da circunferência da cintura (CC), índice de massa corporal (IMC) e pressão arterial, os quais podem ser modificáveis ou não, mediante intervenções no estilo de vida. Os fatores não modificáveis incluem: hereditariedade, sexo, idade e etnia. Enquanto que os fatores modificáveis compreendem: sedentarismo, consumo alimentar inadequado, obesidade, tabagismo, hipertensão arterial, dislipidemias e diabetes mellitus.

Sobre este aspecto, é importante ressaltar que o perfil dos profissionais atuais é caracterizado por atividades prolongadas, diversas jornadas e horários irregulares de trabalho, esta rotina reflete na alimentação deficiente desses indivíduos, uma vez que alimentação é uma necessidade básica do ser humano e o ato de se alimentar envolve uma multiplicidade de aspectos que influenciam na qualidade de vida e no desempenho do profissional4.

A presença de hipertensão arterial, dislipidemia, tabagismo, diabetes mellitus, sedentarismo, obesidade, hereditariedade e estresse estão relacionados a alterações nos níveis de lipídios e lipoproteínas, os quais contribuem para o desenvolvimento de DCV5. Nesse sentido, várias pesquisas têm procurado relacionar o estado nutricional com os fatores de risco para doenças cardiovasculares, com ênfase nas alterações do perfil lipídico. Assim, considerando a relevância clínica das doenças cardiovasculares como um problema saúde pública, prevalência da morbimortalidade e as alterações metabólicas normalmente presentes em sua fisiopatologia, bem como os fatores de risco evolvidos no surgimento desta patologia justificaram a realização desse estudo, cujo objetivo foi avaliar a relação entre os fatores de risco cardiovascular presente em profissionais de uma instituição de ensino superior.

CASUÍSTICA E MÉTODO

Estudo de corte transversal, realizado com 53 funcionários da Faculdade de Ciências e Tecnologias do Maranhão, de ambos os sexos, com faixa etária entre 24 e 38 anos. A seleção dos participantes foi realizada por meio de entrevistas, quando foi aplicado um questionário para obtenção de informações referentes aos dados pessoais, bem como averiguar se os indivíduos estarão aptos a participar da pesquisa, com seguintes critérios de inclusão: não fumantes, não alcoólatras, ausência de doenças cardiovasculares, idade entre 20 e 59 anos e serem funcionários do setor administrativo, função que exige pouca atividade física. Os indivíduos que aceitaram participar assinaram o termo de consentimento livre esclarecido, conforme prevê a Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Para a determinação do estado nutricional foi aferido peso e altura, utilizando balança de precisão e fita métrica, respectivamente e a classificação do estado nutricional dos participantes foi realizada pelo índice de massa corpórea, segundo a Organização Mundial de Saúde6.

Os fatores de risco avaliados nos participantes do estudo foram circunferência da cintura, % de gordura corporal, pressão arterial sistêmica e perfil lipídico.

Circunferência da Cintura

A medida da circunferência da cintura será realizada com os pacientes em pé, utilizando uma fita métrica não extensível, circundando o indivíduo na linha natural da cintura, na região mais estreita entre o tórax e o quadril, no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca. E os valores limítrofes da circunferência da cintura associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares foram segundo a Organização Mundial de Saúde6.

Percentual de Gordura

Para a determinação do percentual de gordura (%G) dos obesos, foi utilizada a bioimpedância elétrica, aparelho de modelo Biodynamics® modelo 450, com eletrodos de gel para bioimpedância.

Pressão Arterial Sistêmica

A verificação da pressão arterial será realizada pelo método indireto esfigmomanométrico. Identificando a pressão sistólica (máxima) e a pressão Diastólica (mínima) em mmHg, observando no manômetro o ponto correspondente ao primeiro batimento regular audível (sons de Korotkoff) em mmHg, observando no manômetro o ponto correspondente ao último batimento regular audível7.

Determinação do perfil lipídico

Foram coletados cinco mL de sangue venoso dos participantes em jejum de no mínimo 12 horas para determinação do perfil lipídico. A concentração sérica de colesterol total, lipoproteína de baixa densidade (LDL-c) e de alta densidade (HDL-c) e triglicerídeos foram determinados pelo método enzimático colorimétrico, utilizando os Kits Labtest®, com o objetivo de isolar as possíveis interferências de dislipidemias na situação nutricional dos participantes do estudo7.

Após a realização das etapas supracitadas os dados foram organizados em planilhas do Excel®, para realização de análise descritiva das variáveis. Posteriormente, os dados foram exportados para o programa SPSS (for Windows® versão 18.0) para análise estatística dos resultados. O teste “t” de Student foi aplicado para verificar diferenças entre os grupos estudados, adotando-se um intervalo de confiança de 95%. Para identificar a existência de associações entre as variáveis testadas será aplicado o coeficiente de correlação linear de Pearson.

RESULTADOS

 Avaliação do Estado Nutricional

Os valores médios e desvio padrão da idade e dos parâmetros antropométricos utilizados na avaliação do estado nutricional dos profissionais de uma instituição de ensino superior estão descritos na tabela 01. Pôde-se observar que ambos os sexos apresentaram diagnóstico de sobrepeso, conforme o índice de massa corpórea, com diferença significativa entre os grupos.

Tabela 01. Valores médios e desvios-padrão dos parâmetros idade, peso, estatura e IMC dos profissionais de uma Instituição de ensino superior.

Parâmetros Sexo Feminino (n=24) Média ± DP Sexo Masculino (n=29) Média ± DP
Idade (anos) 31,58 ± 6,12 29,29 ± 5,56
Peso (kg) 62,24 ± 12,41* 83,16 ± 16,93*
Estatura (cm) 156,17 ± 7, 20* 169,62 ± 5,97*
IMC (kg/m2) 25,76 ± 4,95* 29,39 ± 5,47*

*Valores significativamente diferentes entre os sexos feminino e masculino, teste t de Student (p<0,05). IMC = Índice de Massa Corpórea.

Avaliação da composição corporal

Os valores médios e desvios padrão da composição corporal dos funcionários participantes da pesquisa estão descritos na tabela 02. Pôde-se observar que houve diferença significativa entre os homens e as mulheres quanto ao parâmetro do % de massa gorda.

 Avaliação dos Fatores de Risco Cardiovascular

Os valores médios e desvio padrão dos fatores de risco cardiovascular estão descritos na tabela 03, houve diferença significativa entre os grupos quanto à pressão arterial, circunferência da cintura e colesterol total. È possível afirmar que os homens apresentaram risco metabólico elevado para doenças cardiovasculares.

Tabela 03. Valores médios e desvio padrão dos fatores de risco cardiovascular, circunferência da cintura, pressão arterial e perfil lipídico dos profissionais de uma Instituição de ensino superior.

CC (cm) 80,08 ± 10,22* 95,28 ± 13,70*
Pressão Sistólica (mmHg) 125,5 ± 16,1* 112,6 ± 11,7*
Pressão Diastólica (mmHg) 86,2 ± 11,7* 78,7 ± 5,4*
Colesterol Total (mg/dL) 169,92 ± 32,38* 153,90 ± 23,54*
Triglicerídeos (mg/dL) 110,92 ± 19,50 118,38 ± 33,41
HDL colesterol (mg/dL) 40,42 ± 2,44 39,52 ± 2,28
LDL colesterol (mg/dL) 107,35 ± 32,51 92,12 ± 26,30
VLDL colesterol (mg/dL) 22,18 ± 3,90 23,68 ± 6,68

*Valores significativamente diferentes entre os sexos feminino e masculino, teste t de Student (p<0,05). Valores de referência: CC para o sexo feminino <80 cm e e < 94 cm para homens. Valores de referência: pressão sistólica < 130 mmHg, pressão diastólica <85 mmHg. (DIRETRIZES DE HIPERTENSÃO, 2011). COL – cholesterol (<200 mg/dl). TRI – triglicerídeos (<150 mg/dl). HDL - High Density Lipoprotein (>60 mg/dl). LDL - Low Density Lipoproteins (<130 mg/dl). (V Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose; 2013).

Correlação Entre as Variáveis Estudadas

O presente estudo revelou uma correlação linear positiva e significativa entre os valores de percentual de massa gorda, idade, colesterol e LDL (TABELA 04). Enquanto que na figura 01 é apresentado a associação entre positiva entre a circunferência da cintura e o Índice de Massa Corpórea .

Tabela 04. Análise de correlação linear simples entre os percentuais de gordura e massa magra e os parâmetros idade, colesterol total e LDL colesterol dos profissionais de uma Instituição de ensino superior.

Parâmetros % Massa Gorda % Massa Magra
r p r p
Idade (anos) 0,401 0,003* -0,287 0,037*
Colesterol Total (mg/dL) 0,298 0,030* -0,313 0,022*
LDL colesterol (mg/dL) 0,331 0,016* -0,380 0,005*

*Correlação Linear de Pearson (p<0,05).

Figura 01: Correlação entre o índice de massa corpórea e a circunferência da cintura dos profissionais de uma Instituição de ensino superior.

*Correlação Linear de Pearson (p<0,05).

 DISCUSSÃO

Neste estudo foi avaliado perfil lipídico e outros fatores de risco cardiovascular como o % gordura, pressão arterial, circunferência da cintura e índice de Massa Corpórea, bem como foi investigado a relação entre essas variáveis em funcionários de uma instituição de ensino superior. Observou-se que ambos os sexos apresentam diagnóstico de sobrepeso, com diferença significativa, sendo a média de IMC superior para o sexo masculino.

Apesar das mulheres possuírem maior risco de desenvolver obesidade devido ao excesso de adiposidade, inerente a sua composição, e ainda pelas alterações hormonais que sofrem ao longo da vida, os homens vêm apresentando prevalência de excesso de peso. O mais recente Vigitel, divulgado pelo ministério da Saúde em 2014 afirma que 52,6% deles está acima do peso ideal, fato este que pode ser justificado pelo estilo de vida pouco saudável, com o consumo excessivo de álcool, onde muitas vezes vem acompanhado da ingestão aumentada de alimentos ricos em gordura saturada, bebidas hipercalóricas e baixos níveis de atividade física8.

Enquanto que os valores médios de composição corporal revelaram que as mulheres apresentam percentual de gordura acima do recomendado e com diferença significativa entre os homens. Como já mencionado, os hormônios sexuais femininos fazem a gordura ser armazenada nas nádegas, coxas e quadril e com o avanço da idade a produção de estrogênio diminui e o acúmulo de gordura pode migrar das nádegas, coxas e quadril para a cintura e então aumentar a quantidade de gordura abdominal9.

È relevante mencionar que o acúmulo de gordura corporal está associado com o desenvolvimento de processo inflamatório e estresse oxidativo, pois o aumento do tecido adiposo eleva o número de citocinas pró- inflamatórias como TNF-α, IL-6 e resistina, estas por sua vez, atrapalham a função dos receptores de insulina, o que favorece o quadro de resistência à insulina, com consequente desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 210.

Quanto aos valores de circunferência da cintura identificou-se diferença significativa entre os sexos, onde apenas os homens apresentaram CC acima dos padrões de referência, corroborando com os resultados do IMC. Segundo Gonçalves et al., (2013)11 em pacientes com sobrepeso, o aumento do índice de massa corporal e circunferência da cintura contribuem para um aumento no risco cardiovascular, uma vez que o acúmulo de gordura em torno dos órgãos viscerais dificulta o bom funcionamento do coração. Além disso, a gordura visceral possui caminho circulatório para o fígado, podendo ser utilizada para sintetizar colesterol adicional e elevar o risco de infarto agudo do miocárdio12.

Esse acúmulo de gordura abdominal acarreta problemas relacionados à pressão arterial, pois exige uma sobrecaga do coração causando várias alterações fisiopatológicas no individuo. Dessa forma, os homens avaliados nesse estudo apresentam propensão a desenvolver dislipidemias, hipertensão arterial, resistência à insulina e diabetes. Tavares et al. (2014)13 afirma que a gordura abdominal é importante fator de risco para as condições supracitadas e que a CC está entre os métodos com maior expressão para identificar o risco cardiovascular.

Entretanto, os valores médios de pressão sistólica e diastólica em ambos os sexos se apresentam dentro da normalidade, o que pode ser justificado pelo fato dos participantes ainda serem adultos jovens e as alterações provocadas no endotélio vascular exigirem um longo período para o desenvolvimento de hipertensão arterial e hiperlipidemia, o que por fim resultaria em doença arterial coronária e acidente vascular encefálico14.

A propósito, o desenvolvimento dessas patologias está relacionado com a presença de fatores de risco alterados, como circunferência da cintura (CC), índice de massa corporal (IMC) e percentual de gordura corporal, os quais podem ser modificáveis ou não, mediante intervenções no estilo de vida. Nesse sentido, a avaliação desses parâmetros é de suma importância, pois podem ser capazes de identificar precocemente doenças crônicas não transmissíveis e reduzir o risco de morte nesses indivíduos11.

Quanto à pesquisa realizada no lipidograma dos funcionários foi possível observar que o colesterol total, triglicerídeos, LDL ainda apresentam concentrações normais, enquanto que o HDL encontra-se abaixo do valor de referencia para o sexo masculino e com diferença significativa, esse parâmetro é considerado um marcador positivo, quando em concentrações adequadas é antiaterogênico. O sexo masculino revelou acúmulo de gordura abdominal e percentual elevado de gordura corporal, dados que corroboram com os baixos valores de HDL, situação que também indica sedentarismo.

No estudo de Gonçalves et al. (2012)15 também foi encontrado em trabalhadores adultos concentrações lipídicas desejáveis para  colesterol total, LDL- colesterol, triglicerídeos e apenas os valores de em níveis não desejáveis, em 33,3% dos indivíduos. Segundo Silva et al. (2011), a baixa concentração de HDL torna mais demorada a remoção colesterol LDL no sangue, facilitando a formação das placas nas paredes das artérias, o que por sua vez causa aterosclerose. Estima-se que o aumento de 1mg/dl nos níveis séricos de HDL colesterol diminui o risco relativo para eventos coronarianos em 2 a 3%.

O presente estudo relacionou os percentuais de massa gorda com a idade e perfil lipídico, foi revelada correlação positiva entre essas variáveis. Dessa forma, é possível afirmar que o envelhecimento aumenta o acúmulo de massa gorda e diminui o conteúdo de massa magra e ainda que a idade associado a outras variáveis seja um fator de risco para doenças cardiovasculares. Resultados semelhantes foram encontrados por16.

Além disso, o elevado percentual de gordura predispõe ao aumento de fatores pro aterogênico, como o acúmulo de LDL-oxidada, este é considerado fator causal e independente de aterosclerose, cuja redução diminui a morbimortalidade15. Assim, o percentual de massa gorda pode ser considerado um bom indicador quando associado a outros preditores de doenças coronarianas, por fornecer um diagnóstico nutricional mais preciso e fidedigno. O presente estudo apresenta resultados concordantes o estudo de Loureiro et al. (2012)17 que verificaram  nível aumentado de LDLc 9,8% dos participantes, apesar da mediana está dentro dos limites da normalidade.

Houve também uma correlação positiva entre os parâmetros IMC e CC, demonstrando que excesso de peso associado ao aumento de gordura abdominal contribui para o desenvolvimento de DCV, pois a elevação nos valores desses fatores sobrecarrega o coração e induz a várias alterações fisiopatológicas no individuo. No estudo de Gottlieb (2011)18 foi demonstrado que o IMC e a CC são ferramentas de triagem para risco cardiovascular e que valores superiores a 24 kg/m² para o IMC de ambos os sexos são os melhores pontos de corte para determinação do risco cardiovascular.

A partir dos resultados pode-se perceber o acumulo de gorduras no tecido adiposo esta estritamente ligada a doenças cardiovasculares e isso pode levar a diversas alterações fisiológicas associadas ao sobrecarga do trabalho cardíaco e excesso de lipídio sérico, além disso, a obesidade também pode acarretar outras doenças crônicas não transmissíveis. Assim esse estudo vem mostrar a importância da determinação precoce dos fatores de risco cardiovascular para que se possam buscar estratégias de prevenção para essas doenças como uma alimentação saudável e a prática de exercício físico para a manutenção de uma vida mais saudável. Neste estudo, não foi analisada o consumo alimentar dos participantes, outros fatores risco como a hereditariedade, uso de anticoncepcionais, os quais tornaram limitações dessa pesquisa.

CONCLUSÃO

A partir dos resultados deste estudo, pode-se observar que o sexo masculino e feminino apresenta sobrepeso. Embora com valores desejáveis para colesterol total, triglicerídeos e LDL, o HDL encontra-se abaixo do valor de referencia para o sexo masculino que quando em concentrações adequadas é antiaterogênico, sendo assim um marcador positivo para risco cardiovascular. Os funcionários também apresentaram percentual de massa gorda elevado quanto o sexo feminino e circunferência da cintura elevada para o sexo Masculino. Pode-se observar que os funcionários apresentam risco cardiovascular e que o percentual de gordura corporal sofre influência da idade e participa do desenvolvimento de dislipidemias. Assim, a realização de orientações quanto às práticas de uma alimentação saudável e atividades físicas são imprescindíveis para a prevenção de DCV.

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Notas

Financiamento

Declaramos que para a execução da pesquisa utilizamos financiamento próprio.

Autor correspondente

Fabiane Araújo Sampaio - fabianesampaio21@gmail.com

Dra Fabiane Araújo Sampaio. Rua Dr. Nathan portela Nunes nº 4127, apto 07 – CEP 64048-495, Ininga-Teresina, PI – Brasil.

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