ARTIGO ORIGINAL

Original Article


Qualidade de vida e hábitos de sono: aspectos condicionantes na formação do futuro médico

Quality of life and sleep habits: conditioning aspects in training of future physicians

  • Recebido: 09 de Janeiro de 2018
  • Aprovado: 12 de Fevereiro de 2018
  • Publicado: 23 de Agosto de 2018
  • Atualidades Médicas - Volume 1 - Edição nº 3 - Ano 2017 - Setembro, Outubro
  • Páginas: 84-93
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Resumo

O objetivo desta pesquisa foi analisar em acadêmicos da Faculdade de Medicina de Jundiaí sua qualidade de vida e hábitos de sono. Foi feito um estudo descritivo transversal, comparando-se os diferentes anos da graduação e correlacionando com possíveis fatores condicionantes (tais como uso de estimulantes e prática de atividade física). Analisaram-se também as diferenças entre os diferentes gêneros. Foram utilizados os seguintes questionários autoaplicáveis: dados de perfil sociodemográfico e hábitos, questionário sobre qualidade de vida WHOQOL-bref e Escala de Sonolência de Epworth (ESE). Foram avaliados 266 alunos (62% da amostra total). Foi encontrada correlação entre sonolência e qualidade de vida (r=-0,338 p<0,001). 66% da amostra apresentava sonolência diurna excessiva. O domínio físico apresentou a pior pontuação no WHOQOL-bref na amostra total. A maior parte dos domínios WHOQOL-bref foi semelhante entre os anos e gêneros. Não houve diferença entre as turmas para a ESE, porém observou-se maior sonolência em mulheres. Alunos com hábitos saudáveis e prática de atividade física regular apresentaram melhores pontuações no WHOQOL-bref. Este estudo fornece dados que podem auxiliar na melhoria de condições para educação médica e servir de base para estudos experimentais.

Summary

This study aimed to analyze the population of academics of Jundiai Medical School (FMJ) regarding their quality of life and sleep habits, comparing different years of graduation, different genres and correlation with possible conditioning factors. The study was crosssectional, using a self-administered questionnaire, including: sample profile; the World Health Organization Quality of Life assessment (WHOQOL-BREF) and the Epworth Sleepiness Scale (ESS),with significance level p <0.005. The sample included 266 students at FMJ, 62% female. Pearson correlation was -0.338 between sleepiness and quality of life. 66% of the sample had excessive daytime sleepiness. Physical domain of WHOQOL received the lower score and, in most domains there was no change in the comparison between the different classes and different genres. Sleepiness was greater among women, and no significant difference was found between the different classes. Students who reported having healthier habits and regular physical activity had higher scores on WHOQOL scores. This study provides data that can help improve medical education, but further research is needed, such as cohort studies and intervention.

Unitermos/Uniterms

  • Qualidade de vida
  • estudantes de medicina
  • educação médica
  • privação do sono
  • estresse psicológico
  • esgotamento profissional
  • Quality of life
  • students
  • medical
  • education
  • sleep deprivation
  • stress
  • psychological
  • burnout
  • professional

INTRODUÇÃO

Os acadêmicos do curso de medicina se deparam, ao longo da graduação, com inúmeros fatores causadores de estresse, que podem causar consequências à sua saúde 1. Na segunda metade do século XX, grandes avanços ocorreram nas diversas áreas da medicina, e a cada ano milhares de novas publicações científicas surgem. Isso faz com que o curso apresente conteúdo extenso e complexo, e com que sua grade horária seja exigente. Os estudantes também realizam atividades complementares na busca de uma boa qualificação profissional, tais como iniciação científica, monitorias, estágios, ligas acadêmicas e plantões, exemplos da grande exigência de alto rendimento e tempo em estudos aos quais esse grupo é submetido. Somam-se a isso posturas, habilidades e atitudes também cobradas dos alunos ao longo do seu aprendizado. 2

Assim, a formação profissional em medicina apresenta elevado grau de dedicação e exigência, desde seu processo seletivo, altamente concorrido para o ingresso, passando pelos desafios da graduação e estendendo-se até especialização médica, a qual exige longas jornadas de trabalho, plantões e horas de estudo 3. Portanto, a sobrecarga que estudante de medicina enfrenta influencia diretamente em sua qualidade de vida, causando consequências deletérias impostas por sua rotina.

O conceito de qualidade de vida é moderno, porém uma preocupação antiga: Aristóteles (384-322 a.C.) descrevia a felicidade como certo tipo de atividade virtuosa da alma, como se sentir pleno e realizado. Hipócrates (460-377 a.C.) afirmava que o equilíbrio sustenta um corpo saudável, e que isso está diretamente ligado ao ambiente em que vivemos 2.
A ideia também aparece na antiga filosofia chinesa, que define que a qualidade de vida pode ser alcançada quando as forças positivas e negativas, representadas pelos conceitos de Yin e Yang, encontram-se equilibradas. Assim, o conceito possui raízes tanto na cultura ocidental como na oriental 4.

A expressão "qualidade de vida" foi utilizada nos EUA após a 2ª Guerra Mundial, com a finalidade de descrever a aquisição de bens materiais. Em seguida, notou-se uma ampliação de seu significado, no intuito de se mensurar o desenvolvimento econômico de uma sociedade, comparando-se as diferentes regiões através de indicadores econômicos, como renda per capita e produto interno bruto (PIB). Posteriormente, o conceito passou a denotar o desenvolvimento social por meio da educação, saúde, moradia, transporte, dentre outros parâmetros 5.

Dada a inerente complexidade da definição de qualidade de vida, a Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1995, reuniu especialistas de várias partes do mundo e a determinou como: “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (The Whoqol Group) 6. A definição é composta de, pelo menos, seis domínios: o físico, o psicológico, o nível de independência, as relações sociais, o meio ambiente e a espiritualidade 6,7,8.

Atualmente, esse assunto encontra-se em evidência, o que se pode notar por meio da produção científica, dos meios de comunicação com campanhas publicitárias, e em várias áreas especializadas como medicina, psicologia, sociologia, educação física, nutrição, economia e filosofia, dentre outras. A qualidade de vida vem surgindo como uma nova meta a ser alcançada pela área da saúde, já que o principal objetivo desse sistema não pode ser somente a cura e o controle da doença, bem como a prorrogação da morte, mas deverá proporcionar melhora da qualidade de vida das pessoas pertencentes a diferentes contextos sociais 9.

O excesso de atividades e exigências do curso de medicina muitas vezes priva o aluno de ter tempo para exercitar-se, cuidar da sua saúde, relacionar-se com família e amigos ou desenvolver outros interesses 2, causando impacto à qualidade de vida dos acadêmicos. Fatores estressantes, como a intensa cobrança no processo de aprendizado, grande quantidade de novas informações, falta de tempo para atividades sociais e o enfrentamento das doenças dos pacientes e, por vezes, a morte deles, podem contribuir para o aparecimento de sintomas depressivos nos estudantes 10. Alguns estudos demonstraram que acadêmicos de medicina apresentam valores médios de ansiedade acima dos níveis da população geral, e que seus níveis de depressão aumentam significativamente ao longo do primeiro ano do curso médico 11,12. Também foram relacionados com a rotina de estudantes universitários problemas como abuso de substâncias, automutilações e suicídio 13. Tais pesquisas ilustram a importância do desenvolvimento de outros estudos e programas de intervenção e auxílio aos estudantes.

Nesse contexto, destaca-se, dentre as consequências deletérias impostas pela rotina dos estudantes de medicina, o impacto sobre a qualidade do sono. Os alunos de medicina compõem um grupo susceptível à privação de sono 14, condição que pode afetar diretamente seu aprendizado, saúde e qualidade de vida. Os alunos, inseridos no estilo de vida acadêmico, acabam frequentemente alterando o seu padrão do ciclo sono-vigília 15. A vida universitária nem sempre é caracterizada por hábitos saudáveis de sono e os estudantes dificilmente tem uma boa higiene de sono (em virtude do hábito de estudarem a noite, de optarem pelo lazer no período noturno, dentre outros exemplos) 16.

Mediante a problemática apresentada, chama-se atenção para o fato de que os alunos, durante o aprendizado da profissão médica, acabam negligenciando o cuidar de si. Durante formação, a definição e aplicação do conceito de qualidade de vida não são claros 2, estando o estudante pouco capacitado a conceituar o que é a qualidade de vida e a discutir questões vivenciais do curso de medicina e seus aspectos psicológicos. Acredita-se que o tipo de ensino médico que não reserva espaço para a reflexão sobre o ser humano que há na figura do médico contribui de maneira prejudicial ao futuro profissional 17. Assim, se faz necessário o conhecimento da qualidade de vida desse grupo de acadêmicos, para a que a mesma possa ser aprimorada e níveis de estresse reduzidos, o que poderia contribuir para a formação de melhores profissionais, trazendo impacto na relação médico-paciente 18 e resultando em maior efetividade e competência no atendimento à população.

Desse modo, o presente estudo tem como objetivo a análise da população de acadêmicos da Faculdade de Medicina de Jundiaí com relação à sua qualidade de vida e seus hábitos de sono, e fatores de influência. Busca-se, também, contribuir com dados epidemiológicos sobre o assunto e incentivar a implantação de projetos de prevenção contra os prejuízos da privação do sono aos universitários e melhora da qualidade de vida. Em adição, espera-se oferecer informações capazes de orientar possíveis mudanças curriculares nas faculdades de ensino médico, que garantam melhores condições de aprendizagem e manutenção da saúde física e mental dos alunos.

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de estudo do tipo descritivo transversal, de acordo com os termos da Resolução n° 196 do Conselho Nacional de Saúde (1996). A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Jundiaí (CAAE:31053914.6.0000.5412) e realizada através do apoio do Conselho Nacional para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq: 143710/2014-1).

A amostra estudada foi composta por acadêmicos da Faculdade de Medicina de Jundiaí, matriculados regularmente do primeiro ao sexto ano do curso médico e que voluntariamente desejaram participar do estudo, após esclarecimento do projeto e seus objetivos, pessoalmente pelo pesquisador. Foi, ainda, formalizado através de assinatura, dos participantes, do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Foram excluídos do estudo os alunos que se recusaram a participar da pesquisa, bem como alunos ausentes nos dias de coleta de dados.

Distribuiu-se um questionário autoaplicável, iniciado com dados sociodemográficos de perfil da amostra: sexo, idade, ano que está cursando em medicina, e questões relativas a hábitos de vida, atividade física e padrão de alimentação. Para avaliação da qualidade de vida, utilizou-se o questionário World Health Organization Questionnaire for Quality of Life Brief Form (WHOQOL-bref), idealizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), validado e traduzido para o português 8. A necessidade de um instrumento que pudesse avaliar a qualidade de vida dentro de uma perspectiva transcultural para uso internacional levou ao desenvolvimento do WHOQOL-100, inquérito composto de 100 questões, envolvendo a participação de vários países, representando diferentes culturas 6,8. Posteriormente, a necessidade de uma ferramenta que fosse de rápida aplicação, porém que mantivesse características informativas satisfatórias, fez com que o Grupo de Qualidade de Vida da OMS desenvolvesse uma versão abreviada do WHOQOL-100, o WHOQOL-bref 7,8, versão utilizada nesse estudo. Este questionário é composto por 26 perguntas, distribuídas em quatro domínios: físico, psicológico, de relações sociais e ambiental. Assim, cada uma das 24 facetas que compõem o WHOQOL-100 é representada por uma questão 7,8.

Para a avaliação da qualidade do sono, utilizou-se a Escala de Sonolência excessiva de Epworth (ESE), validada e traduzida para o português 19. A ESE avalia a sonolência diurna excessiva e é composta de oito situações, tais como: qual a chance de cochilar sentado ou lendo; cochilar vendo televisão, entre outras. A pontuação é indicada pelo estudante de acordo com as seguintes instruções: 0 corresponde a “não cochilaria nunca”; 1 corresponde a “pequena chance de cochilar”; 2 corresponde a “moderada chance de cochilar”; e 3 corresponde a “grande chance de cochilar”. A pontuação indicada pelo estudante em todas as situações indagadas é somada e analisada. O somatório entre zero e nove pontos indicam ausência de sonolência; entre 10 e 16 pontos, sonolência leve; entre 17 e 20 pontos, sonolência moderada; e entre 21 e 24 pontos, sonolência grave 19.

A coleta de dados foi realizada durante o período de aulas compreendido entre os meses de agosto a dezembro de 2014. A explicação do projeto de pesquisa, bem como a entrega do termo de consentimento livre e esclarecido e do questionário a ser utilizado, foram feitas pelos pesquisadores antes do início das aulas teóricas realizadas na Faculdade de Medicina de Jundiaí (para alunos do primeiro ao quarto anos) ou no Hospital Universitário e Hospital São Vicente de Paulo (para alunos em regime de internato, correspondentes ao quinto e sexto anos), com consentimento prévio dos docentes responsáveis pelas aulas nos dias da coleta. A determinação de um momento fixo (início da aula) para coleta de dados teve como objetivo a uniformização das condições para todos os alunos, possibilitando, posteriormente, a comparação entre os resultados obtidos nos diferentes anos da graduação, minimizando vieses de coleta de dados.

Os questionários e termo de consentimento foram lidos e, em ato contínuo, preenchidos pelos alunos e recolhidos pelos pesquisadores.Por fim, os dados obtidos foram analisados, a partir de sua introdução em planilhas do programa Microsoft Office Excel e apresentação dos seus valores absolutos e relativos, através do pacote estatístico SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) para Macbook. Para as variáveis de valores do WHOQOL-bref e da ESE foi utilizado teste T de amostras independentes, comparando as amostras obtidas em cada ano com a população total dos alunos. Para avaliação de associação entre variáveis qualitativas discutidas no trabalho foi utilizado o teste do Qui-quadrado. O nível de significância adotado foi de 5% (p<0,05).

RESULTADOS

A amostra estudada foi composta de 266 alunos do primeiro ao sexto ano do curso médico da Faculdade de Medicina de Jundiaí (62% do total), com idade entre 18 e 37 anos (média=23,2 anos, DP=2,8), sendo 102 alunos do sexo masculino e 164 do feminino. As características gerais da amostra, bem como o nível descritivo das variáveis de cada ano em relação à população geral estudada, encontram-se na tabela 1. Houve diferença significativa apenas comparando-se os diferentes sexos nos alunos do 4º ano em relação aos demais, e entre o número de tabagistas dos alunos do 4º ano em relação aos demais (p<0,05).

Tabela 1. Perfil sociodemográfico e hábitos dos alunos da Faculdade de Medicina de Jundiaí

VARIÁVEL

1º ANO

2ºANO

3ºANO

4ºANO

5ºANO

6ºANO

TOTAL

Alunos participantes

41 (53,2%)

52 (72,2%)

51 (73,9%)

45 (60,0%)

50 (75,7%)

27(38,5%)

266 (62,0%)

Masculino

18 (43,9%)

17 (32,6%)

26 (50,9%)

12 (26,6%)

22 (44,0%)

7 (25,9%)

102 (38,0%)

Média de idade em anos (DP)

21,1 (2,6)

21,7 (2,9)

21,4 (2,6)

23,5 (1,6)

25 (2,8)

25 (1,3)

23,2 (2,8%)

Prática regular de atividade física

33 (80,4%)

37 (71,1%)

39 (76,4%)

28 (62,2%)

36 (72,0%)

17 (62,9%)

190 (71,0%)

Tabagistas

2 (4,8%)

1 (1,9%)

8 (15,6%)

6 (13,3%)

1 (2,0%)

0

17 (6,3%)

Ingesta habitual de bebidas alcoólicas

28 (68,2%)

37 (71,1%)

38 (74,5%)

32 (71,1%)

33 (66,0%)

25 (92,5%)

193 (72,5%)

Piora dos hábitos alimentares após ingresso à faculdade

20 (68,9%)

38 (73%)

24 (47%)

26 (57,7%)

34 (68%)

18 (66,6%)

160 (60,1%)

Hábitos não saudáveis

19 (46,3%)

35 (67,3%)

30 (58,8%)

25 (55,5%)

26 (52%)

17 (62,9%)

152 (57,1%)

Nota: Os valores apresentados para os alunos participantes dizem respeito à porcentagem sobre o total de alunos matriculados na Faculdade de Medicina de Jundiaí em cada uma das turmas. DP = Desvio padrão;

A análise da qualidade de vida dos alunos, através do WHOQOL-bref, demonstrou média de pontuação na amostra total estudada de 11,6 para o domínio físico; 13,8 para o domínio psicológico; 15,4 para o domínio de relações sociais; 14,2 no domínio ambiental e 13,5 na pontuação total. Houve diferença na comparação do domínio físico do segundo ano com os demais alunos e, no terceiro ano, nos domínios de meio ambiente e pontuação geral. A análise da qualidade de vida, bem como a análise da sonolência diurna, através da ESE, estão apresentados na tabela 2.

Tabela 2. Comparação da WHOQOL-bref e da Escala de Sonolência Diurna de Epworth (ESE) entre as turmas dos alunos da Faculdade de Medicina de Jundiaí.

1ºANO p 2ºANO p 3ºANO p 4ºANO p 5ºANO p 6ºANO p TOTAL
Domínio Físico 11,6(1,4) 0,912 11,1(1,6) 0,017* 11,9(1,7) 0,093 11,6(1,4) 0,896 11,7(1,5) 0,556 11,5(1,8) 0,905 11,6(1,5)
Domínio Psicológico 14,2(1,5) 0,145 13,7(1,1) 0,364 13,9(1,5) 0,592 13,6(2,0) 0,220 13,8(1,5) 0,916 14,0(1,1) 0,681 13,8(1,5)
Domínio Relações Sociais 15,9(2,4) 0,136 15,6(2,5) 0,484 15,7(2,5) 0,286 15,0(2,5) 0,334 15,0(2,4) 0,243 14,7(2,7) 0,168 15,4(2,5)
Domínio Meio ambiente 14,3(1,6) 0,733 13,8(1,8) 0,099 14,9(1,8) 0,005* 13,9(2,5) 0,422 14,2(1,8) 0,804 13,7(1,8) 0,239 14,2(1,9)
Pontuação total 13,7(1,2) 0,229 13,2(1,2) 0,099 13,9(1,4) 0,018* 13,2(1,8) 0,268 13,4(1,4) 0,943 13,2(1,4) 0,383 13,5(1,4)
Pontuação média do ESE 11,1(4,3) 0,407 12,7(4,5) 0,635 11,3(4,3) 0,605 10,8(4,2) 0,167 12,3(4,5) 0,643 11,4(4,4) 0,861 11,6(4,4)

Nota: WHOQOL-bref: World Health Organization Questionnaire for Quality of Life Brief Form. Valores apresentados como médias (desvio padrão). Todos valores de p referem-se ao Teste T de amostras independentes.

Verificou-se a distribuição da pontuação obtida pelos alunos estudados com relação aos pontos de corte definidos pelo instrumento utilizado. Encontrou-se, assim, sonolência em 66% dos alunos, sendo que 52% apresentaram sonolência leve, 12% sonolência moderada e 2%, sonolência grave. Não houve diferença estatística comparando-se cada turma de alunos com os demais anos estudados.

Foi averiguada, ainda, a correlação entre os instrumentos estudados: a ESE e WHOQOL-bref. Obteve-se um coeficiente de correlação de Pearson negativo e moderado (r=-0,338), com significância estatística (p<0,001), indicando que quanto maior o escore de sonolência diurna, menor foi a pontuação de qualidade de vida.

Os alunos que afirmavam possuir hábitos mais saudáveis e que realizavam atividade física apresentaram, com significância estatística, maiores pontuações na escala de qualidade de vida de pelo WHOQOL-bref se comparados aos alunos que não apresentam hábitos saudáveis. (Figura 1).

Figura 1. Comparação entre World Health Organization Questionnaire for Quality of Life Brief Form (WHOQOL-bref) com fatores possivelmente associados dos alunos da Faculdade de Medicina de Jundiaí

Figura 1

*p<0,05 (Teste T de amostras independentes)

Com relação ao nível de sonolência diurna, encontrou-se diferença apenas entre gêneros, sendo mais intensa entre mulheres (Figura 2).

Figura 2. Comparação da Escala de sonolência de Epworth (ESE) com fatores possivelmente associados dos alunos da Faculdade de Medicina de Jundiaí

Figura 2

*p<0,05 (Teste T de amostras independentes)

DISCUSSÃO

Na amostra de estudantes analisada, notou-se, no grupo total de alunos, que o domínio do WHOQOL-bref que recebeu menor pontuação foi o físico, seguindo-se do psicológico, meio ambiente e o domínio que recebeu melhor pontuação foi o de relações sociais.

O WHOQOL é um instrumento largamente utilizado em pesquisas científicas em diferentes grupos, porém a OMS não determina um escore mínimo para avaliação, sendo feita em geral por comparação entre as populações estudadas. Assim, tomando como base a literatura brasileira com estudos realizados com estudantes de medicina, verificou-se que, uma pesquisa realizada com 800 estudantes oriundos de 75 escolas médicas brasileiras, utilizando-se o WHOQOL-bref, demonstrou pontuações de: 14,5 no domínio físico, 14,9 no domínio psicológico, 19,8 no domínio de relações sociais e 14,3 no domínio ambiental2. No presente estudo verificaram-se pontuações abaixo de tais valores (significando pior qualidade de vida) em todos os domínios, exceto o ambiental, sendo, encontrados na amostra geral: 11,6 no domínio físico, 13,8 no domínio psicológico, 15,4 no domínio de relações sociais e 14,2 no domínio ambiental.

Outro estudo transversal realizado em 370 estudantes de Medicina da cidade do Recife, em 2010, observou um decréscimo significativo do domínio psicológico entre os alunos em conclusão do curso médico, quando comparados aos estudantes do início do curso12. No presente estudo, porém, não se verificou tal semelhança.

Os alunos do segundo ano da graduação mostraram escore do domínio físico abaixo dos demais (p=0,017). O domínio físico aborda questões como dor e desconforto, energia e fadiga, sono e repouso. Tal resultado pode estar associado a um maior número de disciplinas verificadas nesse ano da graduação, consequentemente maior número de avaliações, tarefas e conteúdo abordado, sendo esses também bastante densos e complexos. Em contrapartida, os alunos do terceiro ano mostraram escore total acima dos demais alunos (p=0,018), bem como no escore do domínio meio ambiente (p=0,005) - o qual aborda questões como disponibilidade e qualidade de cuidados de saúde e sociais, oportunidades de adquirir novas informações e habilidades, oportunidades de recreação/lazer. Tal fato pode estar relacionado com a rotina de tais alunos nesse ano particular da graduação, no qual se verifica menor número de disciplinas abordadas, sendo também maior a participação dos alunos com atividades extracurriculares de interesse pessoal (ligas acadêmicas, projetos sociais, Diretório Acadêmico, Atlética) e oportunidades de lazer.

Com relação aos demais domínios, não houve diferença estatisticamente significante comparando-se os escores obtidos nos diferentes domínios entre as diferentes turmas, o que infere que, de maneira geral, não houve variação da qualidade de vida comparando-se os diferentes anos da graduação. Tão pouco, houve diferença na qualidade de vida comparando-se os diferentes gêneros.

No presente estudo, observou-se que, na maioria dos fatores estudados, não houve diferença estatística comparando-se cada ano do curso médico com os demais alunos estudados, mostrando homogeneidade da amostra. Observou-se predominância do sexo feminino na população estudada (62%), em conformidade com resultados obtidos em estudo realizado com 1.004 alunos de medicina em 13 cursos médicos de seis Estados brasileiros, entre 2004 e 200720.

Nota-se que a maior parte dos alunos pratica atividade física habitualmente (71%), o que se mostra um dado positivo na amostra estudada. A inclusão de atividade física na grade curricular dos alunos da FMJ nos dois primeiros anos de curso, bem como acessibilidade à prática, com academia nas dependências na faculdade, e acesso a treinos esportivos de diversas modalidades podem ter impacto no elevado número de alunos ativos verificado.

Uma minoria dos alunos (6,3%) afirmou uso de tabaco, porém uma parcela considerável (72,5%) faz uso habitual de bebidas alcoólicas. Tais dados estão em consonância com outros estudos que evidenciam o abuso de álcool entre estudantes da área da saúde21,22,23,24,25.

A maior parte dos alunos (60,1%) considera que houve piora dos seus hábitos alimentares com o ingresso à faculdade e considera seus hábitos de vida não saudáveis (57,1%). Tais dados podem estar correlacionados com a mudança de vida que o ingresso à faculdade impõe, como a mudança de cidade, dificuldade crescente do curso, e a própria rotina que os alunos enfrentam.

No que se refere ao sono, no Brasil, foram encontrados dois estudos populacionais com amostra aleatória que investigaram exclusivamente a sonolência excessiva diurna, com inclusão de indivíduos de ambos os sexos, maiores de 18 anos. O primeiro deles, realizado no interior do Estado da Bahia, relatou prevalência de 21,5%26,e o segundo, ocorrido na capital do Estado de Mato Grosso do Sul, encontrou prevalência de 18,9%27.

O presente estudo mostra, através da ESE, sonolência excessiva diurna muito acima da média dos estudos epidemiológicos nos brasileiros, sendo evidenciada em 66% da amostra estudada e com valor de 11,6 na pontuação média obtida. Não houve diferença comparando-se cada turma de alunos com os demais estudados. Com relação aos gêneros dos participantes, o sexo feminino apresentou maiores níveis de sonolência diurna, com significância estatística, quando comparado ao sexo oposto. Tais dados apoiam resultados obtidos em outros estudos com alunos de faculdades de medicina, como sonolência excessiva diurna em 51,5% entre 276 estudantes (acadêmicos e residentes)14; e escores médios entre 10 e 11 pontos2,28 significando sonolência excessiva diurna em grau leve.

Por se tratar de um grupo jovem, acredita-se que a principal causa para o alto índice de sonolência excessiva diurna verificada seria a privação do sono entre os alunos. Tal dado decorre de inúmeros fatores, como a carga horária extensa do curso médico, com atividades em período integral e plantões noturnos, atividades extracurriculares, grande exigência de estudo, preferência por lazer no período noturno, dentre outros. Nota-se, ainda, que a privação do sono nos estudantes de medicina, residentes e mesmo em médicos, muitas vezes é vista como inerente da profissão em si, ou mesmo como símbolo de dedicação ao ofício exercido. Sabe-se que sono é uma função biológica fundamental na consolidação da memória e do aprendizado, na visão binocular, na termorregulação, na conservação e restauração da energia e do metabolismo energético29. Para que ocorram tais processos, no entanto, é necessário que haja uma boa qualidade do sono30. Pessoas que dormem mal tendem a ter mais morbidades, menor expectativa de vida e envelhecimento precoce31. Em adição, na privação do sono podem ser observados sintomas como mal-estar, irritação, fadiga, prejuízo na agilidade e eficiência mental. A sonolência excessiva diurna pode afetar em longo ou em curto prazo o desempenho da maioria dos domínios cognitivos do indivíduo, acarretando prejuízos sobre a atenção, concentração e memória operacional32. Assim, a privação do sono em estudantes de medicina, residentes e médicos, que pode momentaneamente aumentar a produtividade tanto nos estudos como no atendimento, posteriormente pode provocar queda da produtividade, déficit cognitivo, desmotivação, desordens psiquiátricas menores, enfim, prejuízo da saúde geral e da qualidade de vida2. O presente estudo reafirma o possível impacto do prejuízo do sono na qualidade de vida, através da correlação inversa entre pontuação obtida por meio do WHOQOL-bref e a ESE, de modo que quanto maior foi o escore de sonolência, menor foi o escore de qualidade de vida (r=-0,338). Dentre as implicações sobre o desempenho cognitivo está o aumento de erros em atividades que demandam atenção33,o que pode traduzir um risco imposto aos próprios estudantes de medicina, aos indivíduos do seu ambiente de aprendizado, além dos pacientes atendidos.

Com relação aos diversos fatores potencialmente associados à qualidade de vida, verificou-se que os alunos que afirmaram possuir mais hábitos saudáveis apresentaram maiores pontuações nos escores do WHOQOL-bref comparando-se com os que afirmaram hábitos inadequados. (p<0,05). Partindo-se da definição da OMS, que a define como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”7,considera-se tal dado como afirmação da confiabilidade do instrumento utilizado na mensuração da qualidade de vida entre os alunos, uma vez que utiliza da própria percepção do indivíduo acerca da sua realidade.

A realização de atividades físicas demonstrou-se, com significância estatística, um fator de incremento na qualidade de vida dos estudantes ativos em comparação aos demais - o que vai de encontro com a literatura atual. Uma revisão sistemática realizada no ano de 2012 sobre a associação entre qualidade de vida e atividade física em adultos reuniu 38 estudos publicados entre 1980 e 2010, evidenciando uma associação entre maior nível de atividade física com melhor percepção de qualidade de vida em idosos, adultos aparentemente saudáveis ou em diferentes condições de saúde34. Destaca-se nos trabalhos analisados, a presença de estudo de intervenção, no qual 1089 participantes foram divididos em grupo controle e grupo intervenção, após 12 meses e após 24 meses, com resultados no grupo intervenção de melhora em mais domínios da qualidade de vida que o grupo controle35. Entre estudos brasileiros, destaca-se o de Silva et. al, com 863 participantes, mostrando que Indivíduos ativos apresentaram escores mais elevados no WHOQOL-bref nos domínios físico, psicológico e meio ambiente36.

Considera-se que no presente estudo a amostra estudada foi significativa, e houve alta taxa de respostas, o que minimiza o viés de seleção, apesar das dificuldades na coleta de dados, principalmente no que diz respeito aos alunos do 6º ano de curso, por estarem subdivididos em diversos grupos, com atividades em locais e horários diferentes. Também se destaca a utilização de instrumentos internacionalmente validados (o WHOQOL-bref e a ESE), ambos muito utilizados em pesquisas científicas e com praticidade de uso. Como limitações, não pode ser realizado um estudo de coorte prospectivo durante os seis anos do curso médico, o que poderia trazer maior confiabilidade com relação a analise do impacto que o curso traria sobre a qualidade de vida e sonolência.

Finalmente, ressalta-se a necessidade de outros estudos em âmbito nacional, que possam contribuir com dados sobre a realidade dos estudantes de medicina brasileiros. Tais estudos podem direcionar as faculdades a buscarem estratégias tanto de reforma curricular, quanto de programas de intervenção na saúde física, mental e higiene do sono dos alunos, bem como abertura de espaço para discussão sobre o assunto e conscientização dos estudantes sobre o tema. Tais medidas que podem vir a minimizar o desgaste sofrido antes mesmo da diplomação. Vale destacar um estudo de Hassed et. al realizado na Universidade de Monash com 148 alunos de medicina , sendo avaliados quanto ao sofrimento psicológico e qualidade de vida antes e posteriormente à implementação de um programa de saúde visando melhoria desses parâmetros36. Como resultado, obteve-se melhoria global do bem estar do estudante de medicina. Cita-se, também, o estudo qualitativo realizado por Zonta et. al. na Universidade Federal de Santa Catarina, em que, entre as estratégias de enfrentamento do estresse, os participantes apontaram sugestões como valorização dos relacionamentos interpessoais e de fenômenos do cotidiano, equilíbrio entre estudo e lazer, organização do tempo, cuidados com a saúde, alimentação e o sono, prática de atividade física, religiosidade, trabalhar a própria personalidade para lidar com situações adversas e procura por assistência psicológica.18

É de grande importância a discussão da temática apresentada, pois quanto mais precocemente este profissional refletir sobre sua própria vida e qualidade de vida, melhor condição poderá ter para contribuir com a qualidade de vida de seus pacientes. Ainda, a escola médica deve estar preparada e ter em foco esta preocupação, tanto na elaboração de seu plano curricular, como auxiliando o aluno a desenvolver estratégias que o preparem para lidar com a pressão que vivenciará no cotidiano acadêmico e profissional, bem como dando suporte psicológico e pedagógico de forma geral.

CONCLUSÕES

Houve correlação inversa entre sonolência e qualidade de vida, e ainda, os estudantes de medicina da FMJ apresentaram elevados índices de sonolência excessiva, visto em 66% da amostra. O escore de qualidade de vida que recebeu menor pontuação, na amostra total estudada, foi o de domínio físico, sendo que os alunos do 2º ano da graduação mostraram escore do domínio físico abaixo dos demais e os alunos do 3º ano mostraram escore total acima dos demais alunos, bem como escore do domínio meio ambiente. Nos demais domínios, não houve variação na comparação entre os alunos dos diferentes anos da graduação e os diferentes gêneros. Não se notou diferença significante entre as diferentes turmas para a sonolência, porém foi observada maior sonolência entre as mulheres. Alunos que afirmaram possuir mais hábitos saudáveis apresentaram maiores pontuações nos escores do WHOQOL-bref comparando-se com os que afirmaram hábitos inadequados, assim como os que afirmaram prática de atividade física regular.

São necessários maiores estudos venham a analisar outras possíveis variáveis que poderiam influenciar na qualidade de vida e sono dos estudantes, bem como outros estudos utilizando-se diferentes delineamentos, como estudos de Coorte e de intervenção.

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Notas

CONFLITO DE INTERESSES:

Os autores declaram não haver conflito de interesse no presente estudo.

Autor correspondente

Camila Carvalho Dias Pinto - camilacarvalho.dp@gmail.com

R. Ernesta Lourencini de Moraes, 111. Jardim São Vicente. Jundiaí-SP – CEP: 13214-693