Francisco José Werneck de Carvalho 1, Mario Vitório Villani 2

1 - Prof. do Curso de Medicina da Universidade Estácio de Sá (Campus Uchôa), RJ. Ex Prof. de Nefrologia da Faculdade de Medicina de Valença, RJ
2 - Prof. Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Valença.

Recebido para publicação em 08 de Outubro de 2018
Aceito em 15 de Outubro de 2018

Atualidades Médicas - Volume 2 - Edição 3 - Ano 2018 - Maio, Junho

Páginas: 116-120

DOI:

Unitermos: álcool, ritmo de filtração glomerular, hipertensão arterial, diabetes mellitus

Uniterms: alcohol, glomerular filtration rate, hypertension, diabetes mellitus

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Resumo

Fundamento: O consumo de álcool em quantidades moderadas tem sido reconhecido como de benefício para a prevenção das doenças cardiovasculares. O seu consumo exagerado tem ação deletéria sobre o aparelho digestório, sistema nervoso e aparelho cardiovascular, não sendo identificada com precisão sua ação sobre a função renal. O presente estudo é destinado a avaliar a ação do consumo crônico do álcool sobre a função do rim em pacientes alcoolistas atendidos no Serviço de Psiquiatria da Santa Casa de Valença. Métodos: Foram avaliados pacientes adultos com pelo menos cinco anos de consumo de álcool. Na medida da função renal foi empregada a fórmula de Cockroft e Gault para o cálculo do ritmo de filtração glomerular (RFG), utilizando-se a dosagem da creatinina plasmática e para a função hepática empregou-se as transaminase glutâmico oxaloacética (TGO) e a transaminase glutâmico pirúvica (TGP) Resultados: Os pacientes apresentavam comprometimento da função hepática com (TGO) teve valores médios de 88,7 U/l + 175,7(18 a 1120) (TGP) alcançou valores médios de 54,2 + 54,5 (15 a 280). A creatinina plasmática média de 0,9 + 0,19 mg/dl (0,6 a 1,4) e o RFG 91,8 + 19,9 ml/min/1,73 m2 (45,2 a 136,6). Com relação aos estágios de classificação da doença renal crônica (DRC), os pacientes apresentaram a seguinte distribuição: 16 (41,02%) tinham função renal normal (RFG > 90 ml/min); 20 (51,28%) tinham RFG entre 60 e 89 ml/min, caracterizando estágio 1 de DRC (DRC leve ou funcional) e 3 (7,69%) estágio 2 de DRC (RFG entre 30 e 59 ml/min, caracterizando DRC moderada ou laboratorial). Entre os pacientes estudados não havia pacientes com estágios 4 de DRC grave (RFG de 15 a 29 ml/min) e/ou DRC terminal RFG < 15 ml/min. Todos os pacientes que tinham função renal abaixo de 90 ml/min também apresentavam co-morbidades (HA, DM ou ambas). Conclusões: Embora a pesquisa tenha sido desenvolvida em um único centro e a amostra seja pequena, só foi observado prejuízo da função renal nos casos em que os pacientes apresentavam co-morbidades como hipertensão arterial (HA), diabetes mellitus (DM) ou ambas. Não houve correlação entre o tempo de consumo de álcool e redução do RFG.

Summary

Background: The alcohol consumption in a moderated rate has been considered of benefit for cardiovascular diseases prevention. On the contrary, its large consumption has a deleterious action over the digestive tract, nervous system and cardiovascular system but over the renal function the data lacks of precision. The present study is designed to evaluate the chronic consumption of alcohol over the renal function in alcohol abusers from Psychiatric Service of Santa Casa de Valença. Methods: Adult patients of at least five years of alcohol consumption. For renal function it was used the Cockroft and Gault for the estimation of the glomerular filtration rate (GFR) using the plasmatic creatinin and for hepatic function serum oxalacetic tansaminase (STGO) and serum pyruvic transaminase (STGP). Results: The patients presented hepatic function deficiency with results of (STGO) SD + 88.7 U/l + 175.7(18 to 1120) and (STGP) 54.2 + 54.5 (15 to 280). The plasmatic creatinin was 0.9 + 0.19 mg/dl (0.6 to 1.4) and the GFR 91.8 + 19.9 ml/min/1.73 m2 (45.2 to 136.6). In relation to the stages of chronic renal disease (CRD), the patients presented the following distribution: 16 (41.02%) normal renal function (GFR > 90 ml/min); 20 (51.28%) GFR 60 and 89 ml/min, stage 1 of chronic renal disease (CRD) (light or functional) and 3 (7.69%) stage 2 (GFR 30 - 59). Among the patients no one presented stage 4 of CRD (GFR 15 to 29 ml/min) or end stage renal disease (stage 5) GFR < 15 ml/min. All patients with GFR < 90 ml/min also presented comorbities as hypertension, diabetes or both. Conclusions: Although research was developed in one centre and the data were small, it was noticed that all patients that had reduced GFR also presented comorbities as hypertension, diabetes or both. There was no correlation between long time of alcohol consumption and reduced GFR.

Introdução

O álcool e o tabaco são duas drogas de consumo quase universal, sendo consideradas drogas lícitas nos países onde é permitida a sua comercialização. Quanto à primeira, embora lhe seja atribuído benefícios na esfera da prevenção de doenças cardiovasculares, quando do seu consumo moderado, também são bem conhecidos seus efeitos deletérios sobre o sistema nervoso central e periférico, doença miocárdica, aumento da pressão arterial, lesões pancreáticas, hepáticas e metabólicas heterogêneas como alterações lipídicas, glicêmicas e do ácido úrico.

Quanto à ação do álcool sobre a função renal, as observações tanto em animais de experimentação quanto em humanos não são conclusivas1-2. Há algumas evidências do consumo de álcool ter uma ação direta de lesão renal3, bem como a sua ação sobre o rim pode ser indireta, com comprometimento metabólico como diabetes e hiperuricemia, distúrbios hidro-eletrolítico e hipertensão arterial.

O presente estudo visou avaliar a função renal de pacientes do município de Valença, estado do Rio de Janeiro, com história de elevado consumo etílico por tempo prolongado, empregando a fórmula de Cockroft e Gault4 no cálculo estimado da função renal.

Pacientes e Métodos

Foram estudados os 42 pacientes admitidos no Serviço de Psiquiatria da Santa Casa de Valença (RJ) no período de janeiro a dezembro de 2006. Os pacientes tinham idade entre 18 e 60 anos, com história de etilismo há pelo menos cinco anos, creatinina plasmática inferior a 1,5 mg/dl, independente do tipo de bebida preferida. Foram excluídos pacientes história de neoplasia maligna, não colaborativos, mulheres grávidas ou em período de amamentação. Os medicamentos de uso crônico foram mantidos em suas doses habituais.

O presente trabalho seguiu as normas previstas pelo comitê de ética da Faculdade de Medicina de Valença, sendo a participação no estudo voluntária e autorizada.

As avaliações laboratoriais de dosagem da creatinina e transaminases foram feitas com pacientes internados, sendo observado um jejum mínimo de 12 horas. Para a dosagem da creatinina foi empregado o método de Jaffé e para a TGO/TGP empregou-se o método de cinética enzimática.

 Para a medida da função renal foi usada a fórmula de Cockroft e Gault, que estima a o RFG com base na creatinina plasmática, conforme demonstrado abaixo:

RFG = (140 – IDADE) PESO) / CREATININA PLASMÁTICA x 72

Correção para o gênero feminino: multiplicar resultado por 0,85

Empregou-se na análise estatística dados descritivos para todas as variáveis. No caso das variáveis contínuas os resultados são apresentados como média e desvio padrão. Foi empregada a fórmula de Pearson para a análise de correlação, quando indicado.

Resultados

Dos 42 pacientes que foram admitidos no estudo, são apresentados os resultados de 39 pacientes, sendo excluídos três deles por dados incompletos. Os aspectos demográficos são exibidos na tabela 1, onde estão descritos a idade média dos pacientes que era de 45,1 + 10,2 anos, sendo 31 (80,9%) do gênero masculino; 30 (76,9%) brancos e 16 (41,0%) apresentavam co-morbidades hipertensão arterial (HA): 13; diabetes mellitus (DM): 1 e associação HA+DM 2. O tempo médio de consumo de álcool foi de 16,8 + 5,9 anos. Com relação ao aspecto nutricional os pacientes apresentavam nível de massa corpórea saudável 22,7 + 2,7.

Tabela 1: dados demográficos dos pacientes (n=39)

Na tabela 2 são apresentados dados laboratoriais dos pacientes. A transaminase glutâmico oxaloacética (TGO) teve valores médios de 88,7 U/l + 175,7(18 a 1120) e a transaminase glutâmico pirúvica (TGP) alcançou valores médios de 54,2 + 54,5 (15 a 280) sendo a creatinina plasmática média de 0,9 + 0,19 mg/dl (0,6 a 1,4) e o RFG 91,8 + 19,9 ml/min/1,73 m2 (45,2 a 136,6). Com relação aos estágios de classificação da doença renal crônica (DRC), os pacientes apresentaram a seguinte distribuição: 16 (41,02%) tinham função renal normal (RFG > 90 ml/min); 20 (51,28%) tinham RFG entre 60 e 89 ml/min, caracterizando estágio 1 de DRC (DRC leve ou funcional) e 3 (7,69%) estágio 2 de DRC (RFG entre 30 e 59 ml/min, caracterizando DRC moderada ou laboratorial). Entre os pacientes estudados não havia pacientes com estágios 4 de DRC grave (RFG de 15 a 29 ml/min) e/ou DRC terminal RFG < 15 ml/min.

Tabela 2: dados laboratoriais dos pacientes n=39)

Todos os pacientes que tinham função renal abaixo de 90 ml/min também apresentavam co-morbidades (HA, DM ou ambas) e o teste de Pearson para a correlação da função renal e o tempo de consumo de álcool não foi positiva r = 0,6 . No entanto, os pacientes que tinham 20 anos ou mais de consumo etílico apresentavam função renal acima do corte de normalidade utilizado (140 ml/min) (dados não apresentados). Não houve correlação entre o tempo de consumo de álcool com a função renal, como pode ser observado na figura 1.

Figura 1: Correlação entre o tempo de consumo de álcool e a função renal

Discussão

A principal observação do presente trabalho indica que o consumo crônico de álcool pode exibir dupla ação sobre a função renal, que pode ser tanto deletéria quanto salutar, como observado em trabalhos anteriores5 onde a comparação entre abstêmios e etilistas mostrou maior RFG nestes últimos. No presente trabalho observou-se que entre os pacientes estudados, aqueles que tinham função renal dentro dos limites da normalidade usada como referência (90 a 140 ml/min) não apresentavam co-morbidades ao contrário dos que as apresentavam (HA e DM isoladas ou associadamente), cujas medidas do RFG apresentavam em níveis inferiores ao normal. Deve-se notar que a massa corpórea dos pacientes apresentava-se dentro do nível saudável, não influenciando na dosagem da creatinina plasmática e, conseqüentemente, no cálculo da função renal pela fórmula utilizada.

A dosagem da creatinina plasmática entre os dois grupos não mostrou significância estatística , sendo pois necessário o cálculo do RFG para estabelecer as diferenças. As medidas para o cálculo do RFG têm sido empregadas pela sua facilidade em dispensar a coleta de urina de 24 ou emprego de metodologia dependente de uso de radiotraçadores da medicina nuclear ou mais dispendiosas como a depuração da inulina ou os métodos mais modernos como o do emprego do ioxol6 e cistatina7, ainda sem largo emprego na clínica. Podem ocorrem diferenças nos resultados entre a fórmula empregada (Cockroft e Gault) e as outras existentes, porém, a classificação da disfunção renal baseada nos cinco estágios da doença minimiza as diferenças.

Ainda pode ser observado na pesquisa que pacientes com tempo de consumo acima de 20 anos apresentavam o RFG superiores aos valores de referência, que devido ao pequeno número de pacientes com estas características, não são apresentamos os seus dados, já que é necessária uma melhor observação para fornecer uma maior consistência estatística para esse aumento.

A ação deletéria do álcool sobre o rim pode atingir indiscriminadamente todas as estruturas renais (glomérulos, túbulos e interstício), afetando especialmente aqueles pacientes que têm doenças pré-existentes8, como foi observado por nós. A ação sobre a regulação da função renal decorrente dos desarranjos morfológicos do rim não tem ainda uma clara identificação no homem. Estudo em ratos9 proporcionou evidências de que elevado consumo de álcool resulta em diversas alterações patofisiológicas diretamente ligadas ao etanol sobre a função celular bem como a participação de seus metabólitos, gerando radicais livres e estresse oxidativo.

Trabalhos envolvendo pesquisas da ação do consumo de álcool separadamente dos gêneros masculino e feminino mostraram resultados semelhantes. Schaeffnert10 estudando homens sem história de doenças crônicas, com consumo de álcool moderado e observados por um período prolongado mostrou uma relação inversa do consumo de álcool e risco de disfunção renal. Resultado semelhante foi encontrado por Knigth num estudo em que foram avaliadas somente mulheres também saudáveis por um período de 11 anos2. Em trabalho recente11, avaliando homens japoneses saudáveis que eram submetidos à avaliação da saúde por check-up observou uma relação inversa entre a frequência do consumo de bebida alcoólica e o desenvolvimento de doença renal crônica.

O consumo do etanol sobre a pressão arterial pode induzir efeitos dicotomizados, podendo induzir tanto a um efeito anti-hipertensivo como hipertensivo12. No primeiro caso, o mecanismo seria justificado por sua ação sobre neurotransmissores e sistemas hormonais13, com participação em alterações na regulação da função renal. O mecanismo hipertensivo se daria por aumento das catecolaminas plasmáticas. O consumo exagerado do álcool pode também inibir a atividade de substâncias apresentando efeito supressor e/ou estimulante de substâncias que tenham efeitos anti-hipertensivo14.

Entre os pacientes alcoolistas pode haver uma variação entre o comportamento das enzimas hepáticas e o estado da doença e extensão do comprometimento do fígado pelo etanol. No presente estudo as dosagens das transaminases mostram valores médios discretamente acima dos valores de referência, variando aleatoriamente em relação ao tempo de consumo do álcool.

Os pacientes estudados cuja função renal era normal não apresentavam as co-morbidades descritas (HA e DM) enquanto 17 dos que apresentavam estágio 2 da DRC (RFG entre 60 e 89 ml/min) eram aqueles em que as co-morbidades eram notadas, bem como todos os três pacientes que apresentavam RFG entre 30 e 59 ml/min, estágio 3 da DRC.

O trabalho apresenta como limites ser um trabalho de avaliação retrospectiva, contemplando para análise uma amostra regional de pacientes que foram estudados em um único serviço e com número reduzido de pacientes para que seja feita uma análise estatística com maior poder .

Considerações Finais

Concluímos que os dados apresentados indicam que o consumo de álcool pode ter efeito duplo, com a piora da função renal nos casos em que está associado com HA e/ou DM e na sua ausência, pode promover um aumento do RFG, cujo mecanismo não está completamente identificado. A elevação dos níveis do RFG muito acima dos valores de referência merece confirmação através de uma amostra maior, bem como se esse efeito de hiperfluxo glomerular poderia desempenhar, ao longo do tempo, uma ação esclerosante glomerular como observado em outras situações patológicas como ocorre na diabetes.

Referências Bibliográficas

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Notas

Trabalho realizado no Serviço de Psiquiatria da Santa Casa de Valença, pelas Disciplinas de Nefrologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Valença.
Não há conflito de interesse.

Autor correspondente

Francisco José Werneck de Carvalho - contato@drwerneck.com

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Mario Vitório Villani